Discurso e poder: uma análise da (des)igualdade de gênero nas relações de trabalho

Autor

Ângela Maria Lima Gouveia

Orientador

Profa. Dra. Karina Falcone de Azevedo

Ano da defesa

2013

Resumo

Partindo da perspectiva de que as mudanças profissionais reivindicadas pelas mulheres no mercado de trabalho podem desestabilizar a hegemonia masculina no mundo profissional, e sendo possível que essa intervenção marque o início de um discurso inovador sobre a mulher, apontando para novas identidades profissionais do gênero (VIEIRA, 2005), este estudo tem o objetivo geral de investigar como as práticas discursivas da Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM) constroem representações sobre a mulher no mundo do trabalho. Estabelecemos como objetivos específicos: (a) examinar, a partir das práticas discursivas da SPM, a constituição identitária da mulher trabalhadora; e (b) analisar quais são as estratégias discursivas que operam nos processos de construção de identidades e de representações sobre a mulher. O corpus desta investigação é composto por reportagens do site da SPM, relativo ao período dos anos de 2004 a 2012, abordando o tema ‘mulher e relações de trabalho’. Para esta investigação, delimitamos o estudo ao gênero reportagem por ser o mais recorrente nas publicações da SPM. As discussões teóricas que dão suporte a esta investigação são: Scott (1996) no tocante à noção de gênero; Hall (1998), Woodward (2011), Bauman (2001) e Vieira (2005) no que se referem à identidade; assim como os trabalhos de Fairclough (2008), Falcone (2008), Pontes (2010), Resende e Ramalho (2011), Silva (2011), dentre outros, para tratar sobre a Análise Crítica do Discurso (ACD) e sobre as questões da representação e da construção identitária. As análises desenvolvidas indicam que a construção identitária da mulher trabalhadora brasileira, a partir dos discursos da SPM, representa a mulher como construtora do seu espaço profissional. Entretanto, essas representações são tratadas a partir de forte interferência de relações de poder, no mundo do trabalho da mulher, permitindo a segregação de identidades a seu respeito.

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