O que fazer com o seu dinheiro: o discurso de autoajuda em manchetes de capa de jornais

Autor

Leusa Cristina Bezerra dos Santos

Orientador

Profª. Dra. Nelly Carvalho

Ano da defesa

2013

Resumo

Este trabalho tem o objetivo de investigar a presença do discurso de autoajuda nas manchetes de capa de jornais que tratam sobre finanças pessoais. Vivemos em um mundo no qual o consumismo é tema em vários tipos de mídia. E não só o consumismo material, mas também o imaterial. Ter uma vida financeira saudável ou ter uma vida mais longa e com saúde, ou ainda reter a vivacidade da juventude por mais tempo são assuntos que assistimos com regularidade serem veiculados na mídia. E essa divulgação se faz através de promessas, de dicas, de aconselhamentos do tão comum “como fazer”. Por conta dessa percepção, decidimos analisar os enunciados jornalísticos principais da capa, incluindo como complemento suas respectivas reportagens, que tratam sobre um desses assuntos: a orientação financeira. A nossa hipótese é de que há a presença do discurso de autoajuda, que orienta, que aconselha, que diz como o outro deve fazer, mas que também julga o outro, colocando-o como alguém que precisa de aconselhamento. Para isso, recorremos principalmente ao aparato teórico da Análise Crítica do Discurso (ACD), cuja proposta principal é analisar estruturas sociais através da linguagem e propor mudanças nas práticas discursivas. Esse foco comunga com o nosso, que é o de investigar no discurso midiático relações de poder e práticas ideológicas que constroem um indivíduo incapaz de gerir o seu patrimônio financeiro sem o ‘auxílio’ de orientações intermediadas pela mídia. No entanto, amparados nessa abordagem científica interdisciplinar, mostramos que há formas de reação a essas ideologias. Baseamo-nos principalmente em Fairclough (1995, 1991, 2001), um dos autores representativos desse aparato teórico. Para discutir sobre a manipulação e a questão do poder no discurso, recorremos também a Van Dijk (2010), outro ator inscrito na ACD, sob a perspectiva cognitiva, mas cujas considerações sobre o controle no discurso são determinantes para as discussões que serão levantadas. Outro aparato teórico basilar para a nossa análise é a reflexão de Rüdiger (2006) sobre os paradigmas narrativos da autoajuda. Através das ideias deste autor, identificamos as semelhanças entre os textos desse tipo de literatura e os jornalísticos. Também utilizamos reflexões de outros autores que contribuíram para a construção da nossa interpretação como Koch (2007, 2011), Bakhtin (2009), Foucault (2009), entre outros.

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